domingo, 13 de junho de 2010

textos sobre família

NOSSOS FILHOS E FILHAS & NOSSOS PAIS E MÃES

Bispo Paulo Lockmann

1) INTRODUÇÃO:

Queremos compartilhar nesta lição um pouco sobre o relacionamento entre pais e filhos. Sabemos que uma lição não é suficiente para tratar das muitas questões que este assunto abarca. Entendo porém que precisamos abrir diálogo no interior de nossas igrejas. Somente deste modo encontraremos juntos as indicações de Deus, de sua Palavra para um relacionamento sadio em nossos lares.

Reconhecemos que devemos incluir neste diálogo pessoas as mais diversas como médicos, educadores, psicólogos e outros que possam nos ajudar a tratar cristã e humanamente os problemas que temos.

Devemos sublinhar ainda que temos uma diversidade muito grande quando falamos em pais e filhos. Temos pais que não têm os filhos na igreja, temos mulheres que não têm o marido na igreja e mesmo alguns filhos, e também temos filhos que não têm seus pais na igreja. E temos aqueles que estão sozinhos, tanto na igreja quanto no mundo. Mas cremos que mesmo para estes cabe orientação, pois certamente esperam constituir (nova) família.

Vamos tomar como base alguns preceitos bíblico que estão sobretudo em Efésios 6:1-4.

2) FILHOS, OBEDECEI A VOSSOS PAIS, POIS ISTO É JUSTO. HONRA A TEU PAI E TUA MÃE, PARA QUE TE VÁ BEM (cf Ef 6:1-3; Pv 6:20-22).

Aqui estão duas ordens aos filhos e filhas. A primeira trata da obediência e é um dos 10 mandamentos dados por Deus ao povo de Israel. Esta determinação se baseia no princípio de autoridade estabelecida por Deus. A submissão que devemos a Deus deve ser traduzida dos filhos aos pais.

Sabendo que esta ordem é dada num contexto de fé a uma comunidade de fé, isto implica dizer que:

a) a obediência aos pais implica necessariamente na obediência destes a Deus;

b) a obediência aos pais não deve representar jamais uma desobediência a Deus. Aqui se aplica o princípio de autoridade: Deus está acima dos pais. Portanto, quando houver este tipo de conflito, deve haver diálogo, e a recusa à obediência aos pais deve ser explicada para não ocorrer a sensação de desonrar os pais, nem mesmo de insubordinação, de rebelião.

c) Sempre, e de todos os modos, continua valendo o princípio de submissão aos pais. Mesmo que estes não sejam cristãos. Os pais, cristãos ou não, terão de responder pelo uso da autoridade dada por Deus a eles sobre seus filhos e filhas.

d) Finalmente, honrar pai e mãe é reconhecer sua autoridade. Submeter-se a eles é viver uma vida que não os envergonhem. É bom não esquecer que o casamento do filho ou da filha não faz com que a exigência deste mandamento acabe para ele ou ela. Embora se agreguem os deveres de marido e mulher, sempre devemos ter nossos pais com respeito e honra, inclusive como testemunho para nossos filhos e filhas.

3) PAIS, NÃO PROVOQUEIS VOSSOS FILHOS À IRA, MAS CRIAI-OS NA DISCIPLINA E NA ADMOESTAÇÃO DO SENHOR (cf. Ef 6:4)

Aqui temos mandamentos para os pais. Gostaria de começar considerando uma responsabilidade dos pais perante Deus e os filhos e filhas. Trata-se do batismo infantil. Tenho ouvido que alguns pais têm se recusado a oferecer seus filhos(as) ao batismo, seguindo tradição de igrejas não-metodistas. Sei que, inclusive, alguns pastores(as) muito sutilmente desestimulam esta prática.

Nós pais cristãos metodistas devemos batizar nossas crianças pelas seguintes razões bíblicas:

a) CREMOS QUE TODA CRIANÇA NASCE SALVA.

E quem nos confirma isto é o próprio Senhor Jesus: "Jesus, porém, chamando-as (as crianças) para junto de si, ordenou: deixai vir a mim os pequeninos, porque dos tais é o Reino de Deus" (Lc 18:15-17).

Assim, se são salvas, por que lhes recusar o batismo que é símbolo de purificação, salvação e vida em Cristo? Seria displicência e comodismo em "ensinar a criança no caminho em que deve andar para que quando crescer não se afaste deles (cf. Pv 22:6)?? Sim, é uma responsabilidade maior batizar os filhos(as), pois temos de garantir que vão seguir até adultos o caminho da salvação. Muitos pais têm medo de dar sua palavra (fazer o voto), de fazerem tudo quanto estiver ao seu alcance para que a criança cresça sabendo do que Cristo fez por ela.

O mais cômodo é, sob o pretexto que devem tomar o batismo por decisão pessoal, deixarmos que cresçam sem o selo da aliança e de todo simbolismo de bênção que ele traz e ainda sem a instrução diária e constante na Palavra de Deus.

O Batismo de Jesus é diferente do Batismo de João Batista. João ministrava o batismo de arrependimento. Jesus ministrava o batismo que era de arrependimento também, mas que era sobretudo de pertença. Assim com o batismo passa-se a pertencer a família da fé, a Jesus. O batismo cristão (o batismo de João é judeu!) é o selo na nova aliança. Substitui a circuncisão, selo da antiga aliança. Para aqueles que não sabem, a criança na antiga aliança era circuncidada ao 8º dia após seu nascimento.

b) CREMOS QUE O BATISMO INFANTIL FOI TAMBÉM UMA PRÁTICA DA IGREJA PRIMITIVA.

Vejamos, por exemplo, o testemunho de Atos dos Apóstolos 16:31-33. Leiamos o texto bíblico. O que temos? A conversão do carcereiro foi seguida da pregação à sua família e a conseqüente conversão de todos (...). O texto bíblico não exclui as crianças, como foi feito no texto da multiplicação dos pães.

c) SABEMOS AINDA QUE A VIDA HUMANA DESDE O NASCIMENTO ESTÁ SOB INFLUÊNCIAS ESPIRITUAIS.

Ou de Deus, ou do diabo. O batismo cria vínculos de compromisso entre Deus, os pais, a criança e a igreja, a comunidade da fé. Nenhuma apresentação substitui o batismo infantil.

Sim, através do batismo infantil colocamos nossos filhos e filhas sob a influência espiritual de Deus. Não admitimos qualquer outro caminho nem quaisquer outras opções que não sejam o caminho e a vontade de Deus na vida de nosso filho. Por isso, não temo afirmar que sem o batismo nossos filhos e filhas estão mais vulneráveis a influências espirituais malignas.

d) ENTENDEMOS QUE CRIAR NOSSOS FILHOS E FILHAS NA DISCIPLINA E ORIENTAÇÃO DO SENHOR COMEÇA COM O BATISMO INFANTIL.

Sabendo que com o batismo infantil começa todo um processo educativo onde a orientação da Palavra de Deus e os valores da fé devem ser transmitidos não somente na Escola Dominical, mas diariamente pelos pais. Os pais têm de assumir a responsabilidade da educação cristã de seus filhos.

FAMÍLIA, PAIS E FILHOS

Pr. Ronan Boechat de Amorim

Numa realidade de divórcio, relações superficiais e pai e mãe trabalhando fora de casa, a criança, desde cedo, por mais amada e bem cuidada que seja, sofrerá os efeitos das frágeis ligações familiares e da falta de proximidade e de afetividade familiar.

Hoje se diz que as pessoas que menos educam os filhos são os pais, a família. Nossos filhos sabem muito de ciência, de geografia, de informática, de dinossauros, de sexo... mas sabem tão pouco ou quase nada da Bíblia. Conhecem inúmeras histórias infantis (Branca de Neve, Gata Borralheira, Peter Pan) e conhecem tão pouco a vida de Jesus e as histórias bíblicas. Os heróis das crianças não são os avós ou os pais, mas atores, super-heróis e personagens de desenho animado que, de algum modo, marcarão a criança com ações, valores e ideais nem sempre aprovados pelos pais e mães.

Se no passado impunha-se aos filhos um comportamento restritivo, hoje há um claro “deslimite”: os limites não são claros. Há pouco tempo, jovens em Brasília atearam fogo e mataram o índio Pataxó Galdino Jesus dos Santos, segundo eles, como uma brincadeira. Os adultos, os jovens e também as crianças são constantemente pressionados a se ajustarem ao grupo e ao mundo em que vivem, que é um mundo sem limites.

Educar a criança, sobretudo do ponto de vista da educação cristã, não é simplesmente educar a criança para ela se adaptar ao mundo ao seu redor. Sinceramente não quero que meus filhos nem nenhuma de nossas crianças se adeqüem e adaptem a esse mundo injusto, pecaminoso, violento, idólatra e, naturalmente, distante de Deus. Quero que meus filhos e as crianças sejam educadas para serem capazes de, nas palavras do saudoso educador Paulo Freire, “ver, julgar e agir”. Para que sejam pessoas com discernimento para “mudar o que precisa ser mudado, conservar o que precisa ser conservado e ter discernimento para decidir entre uma e outra coisa.”

Quero meus filhos e nossas crianças iluminadas pelo Evangelho, pelos valores do Reino de Deus, pelo Espírito Santo que nos guia e capacita, pelos conceitos de cidadania e justiça, e assim, serem pessoas pensantes (com discernimento), atuantes no mundo e instrumentos de transformação do mundo. Transformando o mundo para melhor.

O DESAFIO DOS PAIS, FAMÍLIAS E IGREJA

A família tem uma enorme responsabilidade no sentido de educar, formar e ajudar a criança a desenvolver-se de modo humano e maduro. Não dá para “terceirizar”, confiar essa tarefa a terceiros, como à babá, às aulas de educação religiosa na escola e nem mesmo à 1h de aula semanal na Escola Dominical. E a TV , uma espécie de babá de todo dia, é uma péssima babá, uma péssima conselheira, uma péssima educadora.

Precisamos passar mais tempo (quantidade!) com nossos filhos e tornar esse tempo bom e agradável (qualidade!). Mais tempo para convivência e companheirismo com nossos filhos, amando-os e educando-os. Ajudando-os a terem uma visão de mundo correta e comprometida com a justiça, com a paz, com a cidadania, com o Evangelho e com a graça de Deus. Inculcando neles a Palavra de Deus e ajudando, no que estiver ao nosso alcance, a forjar neles um caráter cristão. Orientando-os no que Cristo fez por eles para que, como diz o Ritual da Igreja Metodista na celebração do Batismo infantil, “ao se tornarem conscientes da salvação, possam reconhecer tão preciosa graça, assumindo os votos de membro da Igreja para melhor servir na obra do Reino de Deus”.

O DESAFIO DE REPARTIR A FÉ COM TODOS, INCLUSIVE COM OS FILHOS

Mesmo num mundo plural ouvimos a voz de Deus, tivemos nossa experiência religiosa de conversão e por livre e espontânea vontade aceitamos a Jesus como nosso Senhor e Salvador. Mesmo em meio a tantas vozes, a tantas opções religiosas e tanta fragmentação da própria Igreja, a graça de Deus nos alcançou, certamente através de alguém que aceitou repartir da sua fé.

Precisamos recuperar a alegria de viver a nossa fé, de repartir a nossa fé. Precisamos acreditar que apesar das ambigüidades, a Igreja é um projeto de Deus, e deve ter toda santidade, amor, transparência e coerência para que o mundo (e particularmente os nossos próprios filhos!!!) seja capaz de ver esse seu caráter e sua origem. É fundamental acreditar também que a graça de Deus atua mesmo num mundo conturbado. Somos chamados a semear a boa semente do Evangelho quantas vezes forem necessárias, mas a germinação (conversão) e o crescimento (santificação) da semente não são nossas responsabilidades. Confiemos: vêm de Deus! E Deus é fiel! Aleluia!

O DESAFIO DE AJUDAR NOSSOS FILHOS A TERE UM ENCONTRO PESSOAL COM DEUS

Educar nossos filhos e nossas crianças no Evangelho não é apenas passar informações, falando de doutrinas e teorias, narrando as histórias bíblicas e impondo comportamentos. A educação cristã necessita dessas coisas, mas ela é mais que isso. Educar a criança é dizer: “Não quero apenas que você saiba o que eu sei, eu quero que você viva como eu vivo, e que viva pela fé”. E para isso nossos filhos têm de ter a experiência da fé, o encontro pessoal com Deus. Os discípulos do caminho de Emaús sentiam o coração arder quando Jesus lhes falava. O Rev. John Wesley durante uma experiência religiosa disse: “Senti meu coração arder. Senti que meus pecados eram perdoados. Senti que confiava em Deus”. Uma fé que não se funda numa experiência pessoal só pode ser superficial, insípida e sem comunhão íntima com Deus.

A Igreja deve ser, naturalmente, o melhor lugar do mundo para que as pessoas tenham uma experiência pessoal de fé. Tudo na Igreja tem de ter essa santa “conspiração” para que as pessoas tenham um encontro pessoal com Jesus. Deus e sua Palavra são para serem cridos, mas também para serem experimentados! A Igreja deve ser a comunidade e a congregação dos homens e mulheres que experimentaram e continuam a experimentar regularmente a presença amorosa e salvadora de Deus. A Igreja é a fogueira onde as brasas se mantêm acesas. A Igreja é a fogueira onde o carvão se torna brasa. E ilumina o mundo.



Adaptação do texto de Ronaldo Satler Rosa

Apesar de todas as mudanças que têm acontecido no mundo, a família tem sido considerada como uma referência importante para a formação e felicidade do ser humano. Estudiosos de diferentes ramos do saber salientam que é a partir da família que se pode alimentar a esperança de profundas conversões que diminuam a violência, os abusos, a irresponsabilidade moral, a corrupção e o descaso pela vida humana.

Apesar de todas as mudanças que têm acontecido no mundo, a família tem sido considerada como uma referência.

Mas é sabido que o dia-a-dia das famílias não é sempre um “mar de rosas”. Nem sempre as famílias desenvolvem padrões de relacionamento que favoreçam o bem-estar de seus membros. A casa que abriga a família e que deveria ser espaço de fraternidade e respeito mútuo é, muitas vezes contaminada pelo ódio, pelas rivalidades e pela humilhação, sem excluir crianças, adolescentes e idosos.

O professor John Defrain e Equipe, da Universidade de Nebraska-Lincoln, acompanhou durante vinte anos cerca de 18 mil famílias em 27 países. Entre esses países estavam a Tailândia, Coréia, China, Índia, Romênia, África do Sul e Estados Unidos. A partir do que ouviu dessas famílias, esse professor identificou alguns fatores que criam condições para a felicidade familiar. Essas famílias indicaram seis qualidades que consideravam importantes para a definição de “família forte e feliz”. A pesquisa, constatou, também, que as famílias “fortes e felizes” possuem características semelhantes, apesar das diferenças culturais, religiosas e de língua.

Essas seis qualidades descritas pelas famílias pesquisadas são:

COMPROMISSO: todos os membros da famílias se sentem ligados uns aos outros. Vivem no quotidiano, o compromisso de serem parceiros mútuos da jornada de vida. Tornando-se ombros e ouvidos uns dos outros.

APRECIAÇÃO E AFEIÇÃO: expressam-se no reconhecimento positivo da singularidade e valor de todas as pessoas. Avós, pais, mães, tias, tios podem ser mais positivos no relacionar com seus familiares se usarem mais palavras de encorajamento e reconhecimento das qualidades pessoais de cada membro da família.

COMUNICAÇÃO ABERTA E POSITIVA: muitas dificuldades familiares têm sua origem no modo de falar ou na falta de comunicação entre os membros da família.

TEMPO DE CONVÍVIO JUNTOS: é impossível estabelecerem-se vínculos sólidos se os membros da família não têm oportunidades para conviver.

BEM-ESTAR ESPIRITUAL: cultivo da espiritualidade é fator que garante estabilidade para a vida da família.

Famílias fortes, segundo esta pesquisa, desenvolvem sua capacidade de lidar com as situações mais difíceis. Enfrentam o “mar alto e a tempestade” com preocupação, apreensão e, muitas vezes com dor, mas, não se desgovernam e nem perdem o rumo.

A FAMÍLIA COMO CANAL E FONTE DE BÊNÇÃOS DE DEUS


Material extraido e adaptado do livro
O poder curador da Graça,
de David Semens, Editora Vida

Os 4 conceitos básicos da vida brotam dos relacionamentos interpessoais que experimentamos. Mais precisamente do relacionamento familiar:

a) Autoconhecimento - A família é a principal fonte de como vemos a nós mesmos. A sua auto-estima dependerá grandemente do valor ou da falta de valor refletido nos comportamentos das pessoas que lhes são mais significativas. Serão com os olhos dessas pessoas que ela verá a si mesma o resto de sua vida.

b) O Conceito de Deus - A família é onde adquirimos as primeiras "sensações" e noções de Deus. Essa primeira impressão é que nos marca para sempre. Muitas vezes as crianças confundem Deus com os próprios pais. Poderíamos dizer, vêem como Deus é através da vida dos pais.

c) O conceito sobre as outras pessoas - A família é como uma janela através da qual olhamos para os outros e aprendemos a amá-los ou não. Ela influi no modo como vemos os outros e como pensamos que os outros nos vêem. Aquilo que nós achamos que os outros acham de nós tem muito a ver com o modo como esperamos que os outros se relacionem conosco.

d) O conceito da realidade e padrão de vida - A família é a porta para o mundo e a porta por onde o mundo chega até nós. É na vivência familiar que temos formada a concepção do lar, da vida, de valores, da própria realidade e como as coisas são e se relacionam.

OBS: A crueldade e os maus tratos certamente distorcem conceitos corretos, mas assim o faz também o afeto sem disciplina e o amor sem parâmetros/limites.

Muitos dos problemas que temos hoje está ligado a esta nossa formação. Experiências e relacionamentos em nossa infância e adolescência sobretudo, marcam muito nossos medos e traumas, nosso padrão de vida, cristão ou não. Neste caso, só a graça de Deus nos liberta das marcas ruins do passado e nos permite "nascer de novo".

Quando acolhemos o Senhorio da presença e da Graça de Deus em nossa vida, Deus nos toma pela mão e nos salva. Nos salva escrevendo nosso nome no Livro da Vida Eterna (para plenitude do Seu Reino) e nos salva nesta vida, hoje, aqui e agora pela sua Graça.

Esta é a graça que cura: para as emoções danificadas no passado.

É a graça que reconstrói: para relacionamentos interpessoais destrutivos.

É a graça que reprograma: para padrões de personalidade distorcidos.

É a graça que recicla: para a transformação de mutilados (física ou espiritualmente) em testemunhas vivas do amor de Deus.

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